Vigilância brutal
Outro dia participei de uma reunião de condomínio da qual sou membro do conselho. Os participantes todos são favoráveis a colocar câmeras em todos os andares, nas escadas, na piscina, na academia, na área de cachorro, na churrasqueira e no coworking. O motivo: é a única forma de ficar seguro.
Admito a utilidade de câmeras de segurança bem posicionadas, mas também me incomoda muito o estado de vigilância que virou nossa sociedade. É massacrante, e, pelo jeito, quase consensual. Nossa privacidade está sendo extirpada em prol de uma segurança supostamente garantida por câmeras de segurança onipresentes.
A verdade é que criminosos não ligam muito para câmeras. Agressores vão continuar agredindo e assaltantes continuarão assaltando, eles não se importam ou sabem se evadir desses mecanismos de segurança.
É verdade: as câmeras podem ajudar a trazer algum tipo de justiça para vítimas, como foi o caso do criminoso em Brasília que espancou a mulher no elevador. Isso eu sou bem a favor.
Mas ter câmeras toda hora, em todo lugar, me parece muito invasivo. Se colocarmos câmeras em cada um dos 20 andares do prédio, o único lugar que vai faltar é dentro dos apartamentos. Não duvido que haja alguém que já tenha defendido essa ideia.
Consegui convencer os participantes a não colocar câmeras em todos os andares e nem nas escadas, apenas em locais de circulação e acesso, como elevadores, entradas e tal. Mas perdi a briga pra não ter câmera na academia, vão colocar.
Como é difícil equilibrar nossa necessidade de segurança com nosso desejo de privacidade – ser vigiado em minha própria casa é algo que realmente me incomoda.