Qualidade online foi pro ralo

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Tenho tentado desenhar, mas fracassado miseravelmente

Tenho pensado muito sobre como a qualidade do conteúdo que circula na internet deixou de ser algo essencial. Esse buraco foi cavado a partir do momento em que as Big Techs começaram monetizar nossa atenção a partir de anúncios programáticos e algoritmos – boa parte da economia digital é baseada nesse modelo, que recompensa volume, reprodutibilidade e indignação.

Na internet, o termo conteúdo “conteúdo” tem sido cada vez mais desacoplado de “qualidade” já tem muito tempo, inclusive para o jornalismo (mas não apenas). É possível argumentar, inclusive, que a falta de qualidade na verdade ajuda a aumentar o alcance de certos conteúdos.
Falta de qualidade virou um recurso, e qualidade de fato deixou de ser uma métrica. 
Outro dia escrevi como estamos sendo inundados de conteúdo gerado por IA – algo que apelidei de escatologia sintética. Antes, a gente reclamava por sermos inundados por conteúdo gerado por humanos. Nunca vi ninguém reclamar por excesso de qualidade. 

Uma forma que podemos retomar nosso contato com qualidade é escolher bem nossas fontes. Cada vez vejo escritores, jornalistas e blogueiros se afastando das redes sociais e cultivando seus próprios jardins digitais. Não tem o mesmo alcance, mas é nosso.

Temos que criar (ou retormar) uma relação de como escolhemos consumir conteúdo. Isso envolve acessar diretamente sites, receber newsletters, inscrever-se em feeds de RSS, entre outras coisas. Ao mesmo tempo, isso enolve usar menos as redes sociais no nossos dias. 

Dá mais trabalho, o algoritmo é conveniente. Mas é uma forma legítima que vejo de retomarmos nosso contato com o tipo de conteúdo digital que realmente importa para nós.