O que fazer com a apatia?
Eu sempre tive uma tolerância meio alta para a apatia das pessoas. Raramente um comportamento assim pega mal comigo. Afinal, todo mundo é ocupado, todo mundo tem dias ruins, nem sempre nos animamos com o que os outros se animam, nem sempre temos tempo ou inclinação para retomar velhas amizades e contatos. Eu certamente já demonstrei minha dose de apatia pra muitas coisas.
Mas, à medida que tenho ficado cada vez mais velho e cansado dos comodismos comportamentais da nossa sociedade, tenho procurado me afastar de pessoas – especialmente as quais já considerei próximas de mim, pessoal ou profissionalmente – que não fazem nenhuma questão de esconder um comportamento totalmente desinteressado.
Claro, a pessoa não precisar se animar com minhas ideias, sugestões ou presença, mas a forma como a comunicação dessa falta de interesse é feita faz toda diferença.
Antes eu achava que era algo pontual, reversível. Nunca tive problema em procurar os outros mesmo após repetidas provas de apatia. Mas, ao longo dos últimos anos, especialmente pós-pandemia, comportamentos do tipo começaram a ficar mais evidentes pra mim. Tomei decisões conscientes de não mais procurar pessoas que constantemente demonstram (compreensivelmente, eu diria, eu não tenho nada de animador) desinteresse em mim.
Há amigos e amigas que vejo muito pouco, mas o carinho continua lá. Essas eu mantenho, pois sei que a correria da vida e os prélios do cotidiano que impedem essas coisas. Mais pra frente a gente se encontra, não tem problema. Eu tenho uma grande amiga que mora no exterior com quem falei pouquíssimo nos últimos anos, mas que se eu ligar agora ela me atende feliz. Ou um amigão meu, que já foi meu chefe, tem filho mas e até hoje vira e mexe me liga. Ou outra amiga, que tava numa correria brutal em breve visita ao Brasil mas achou tempo pra ir almoçar comigo (se ela não tivesse ido, mesmo assim não a acharia apática).
Minha postura se dirige a quem realmente não se importa e tampouco tenta esconder tal desinteresse, nem mesmo pra manter as aparências ou a porta aberta (eu estaria de boa com isso).
Um parente muito, muito próximo que não foi à minha festa de casamento nem me ligou depois pra parabenizar ou se justificar; outra pessoa que cresceu comigo e também não foi ao casamento (mas veio visitar um grande desafeto meu em São Paulo, sem nem me ligar); amigos que me excluíram de um grupo sem nenhum motivo; amizades profissionais cordiais que simplesmente não encontram tempo para responder um WhatsApp direito (e aqui faço o mea culpa de vezes que eu mesmo já fiz isso).
Coisas assim. Não há nada errado com essas pessoas, eu ainda gosto da maioria delas e eu certamente já estive no lugar delas vez ou outra (embora eu me esforce ao máximo para tentar não desagradar ninguém).
Mas também não tenho motivo para continuar tentando me reaproximar, só se eu for bater com a cara na parede.