"Não por acaso" é um filme melhor do que eu me lembrava
Eu me lembro de chegar a uma loja da Livraria Cultura, em 2008, e achar um DVD do filme "Não por acaso" a um preço bem ok. Eu tinha acabo de me mudar – fui morar sozinho lá na Rua Willis Roberto Banks, em Pirituba – e minha TV e meu tocador de DVD estavam novinhos.
Me recordo claramente de ter adorado e assistido a ele mais algumas vezes naquele ano (quando eu gosto muito de um filme, eu não vejo apenas uma vez). Ontem a noite vi novamente, por essa versão tosca no YouTube (não está em nenhum streaming).
É um filme realmente excepcional, em muitos aspectos.
Primeiro porque ele é um filme lento, quase monótono em certos pontos. Nem todo filme precisa de ação o tempo todo. Na verdade, acho bom quando o tempo, em vez de utilizado para construir estímulos, é utilizado para desenvolver os personagens. "Agente Secreto", belo filme, tem muito disso também.
Um dos personagens de "Não por acaso" é a cidade de São Paulo, inclusive por meio de suas muitas falhas. Esse filme me faz enxergar como essa é cidade é maluco, mas fantástica, especialmente em um momento no qual muitas pessoas próximas a mim estão abandonando SP (com razão). Quando eu morava em SP lá pra 2011, eu tava de saco cheio da cidade. Queria desesperadamente sair. Quase oito anos fora, quando voltei ela tinha outro brilho – um lustre que ainda continua, mesmo com tantas imperfeições.
"Não por acaso" fala também sobre ganhar e perder relacionamentos importantes, e como nós, homens, somos muito mais difíceis de nos encontrar emocionalmente, embora de forma alguma imunes ao afeto.
O ápice do filme é não entregar tudo para o espectador, deixando a gente pegar os cacos do chão para colá-los aos poucos.
Preciso achar meu DVD de novo – um lugar pra tocá-lo.
https://www.youtube.com/watch?v=RNcY_2m9Ya8