A quantidade ideal para falar

Tem um ditado que eu sempre gostei bastante, após ouvi-lo pela primeira vez há muitos anos, atribuído de forma apócrifa a Confúcio, quando na real é apenas um fruto da cultura popular. 

A sabedoria vem de escutar; de falar vem o arrependimento.

Eu nunca vivi por essa filosofia, apesar de achá-la prudente. Sim, eu acho que eu sou um bom ouvinte (minha esposa e meus sócios podem ter outra opinião a respeito), e eu gosto de pensar que eu sempre soube escolher a hora de falar menos e escutar mais.

Mas é inegável que eu sempre gostei de falar. Não falar sempre foi associado, na minha visão, a algo como timidez, falta de engajamento ou, pior, falta de interesse, coisas que vão contra a constituição da minha personalidade. Afinal, sou filho de um cantor, filósofo, piadista e de uma viajante, professora, contadora de histórias. Lá em casa, incluindo minhas irmãs, todo mundo sempre gostou de falar.

Minha incontinência em fazer perguntas e comentários às vezes me coloca em apuros, saias justas ou em posição embaraçosa para mim e para os outros (me recuso a dar exemplo).

Percebi neste último ano fora de casa que é preciso sentar e ouvir mais. Me fazer pequeno quando eu tiver que ser pequeno, me engajar menos quando não sentir que é a hora, aceitar calado posições das quais eu discordo e, principalmente, espirrar menos minhas visões e opiniões, especialmente se elas conflitam com a dos outros.

O que esse ditado popular significa, pra mim, é que devemos escolher nossas batalhas e debates, porque se entrarmos de cabeça em tudo, não sobra energia pra lutarmos quando for realmente necessário. Demorei 41 anos pra enxergar isso, e só entendi melhor depois de refletir sobre isso por um ano, e de, no meio dessa reflexão, magoar uma pessoa por causa de um comentário sobre algo que não significa absolutamente nada pra mim, mas muito pra ela.

Aprender coisas da vida na meia-idade é significativamente mais penoso do que quando somos jovens, imaturos, blasés e pouco calejados.