A doença do homem moderno

Assisti outro dia ao documentário "Por dentro da machosfera", de Louis Theroux. O filme é bom, mas difícil de ver, porque a machosfera online é simplesmente uma coisa brutal – as declarações, a visão de mundo, os valores, as atitudes, tudo gira em torno de ideias retrógradas que desumanizam mulheres e outros homens que não participam desse mundo.

O que eu interpretei do filme de Theroux é que esses influenciadores possuem uma doença social, aumentada pela ausência ou abuso de figuras paternas durante a juventude, superexposição a redes sociais e uma base de fanboys adolescentes.

É possível argumentar que esses indivíduos desenvolveram suas personalidades em cima de certa psicopatia, mas essas coisas não se desenvolvem e se agravam sozinhas. A "câmara de eco" online, que proporcionou imensurável feedback de validação para seus comportamentos, os impede de ver para além de sua própria ignorância. E o dinheiro que eles, de alguma forma, ganham serve de combustível para comportamentos questionáveis e até criminosos.

As redes sociais, sozinhas, não são responsáveis pelo comportamento dos homens. Mas elas certamente ampliam, inflamam e validam esse tipo de coisa – assim como em outros aspectos, como divisionismo político, terraplanismo, etc.

Esse tipo de distúrbio social que leva influenciadores de 23 anos a agenciarem atrizes pornográficas de OnlyFans infelizmente existe desde que o mundo é mundo, mas agora é tudo muito mais aberto, declarado e, claro, monetizado.